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segunda-feira, 12 de março de 2012


É obrigatório dar ração para os cães e os gatos? Não, o que é obrigatório é dar uma alimentação saudável e balanceada. E isso é mais facilmente alcançado com uma ração de qualidade do que com sobras de comida.

O que é um alimento balanceado? É um alimento no qual estão presentes os principais nutrientes, combinados entre si e que proporcionam uma melhor absorção e nutrição. Os principais nutrientes são as proteínas, os carboidratos, as gorduras, as vitaminas e os minerais. Uma comida caseira pode ser gostosa para seu bicho, mas pode ser carente de alguns destes itens.

Exemplo: fubá com carne moída. Tem carboidratos e proteínas, e alguns cães adoram. Mas e o resto dos nutrientes? Não tem! É uma alimentação carente de vitaminas e minerais, e isso vai se refletir em um animal não muito saudável nem muito bonito.

Qualquer ração serve? Não. Existem muitas rações nas quais os ingredientes não têm muita qualidade, e, sendo assim, a alimentação também fica carente. Então a regra é a seguinte: tem de ser uma ração boa ou uma comida muito bem balanceada.

Como é difícil, para quem não é nutricionista, fazer um planejamento alimentar, fica bem mais fácil apostar na ração de qualidade. Apenas repetir as refeições da família para o bicho, não é legal.

Vejo muitos casos de intoxicações alimentares em cães provocadas por salsichas, linguiças, carnes cruas ou gordurosas, comidas muito temperadas etc. Por falar em linguiça, outro dia atendi um labrador, de um casal amigo, passando muito mal após comer linguiça.

Após eu condenar o alimento, dizendo que é feito com as sobras das sobras, a mulher disse: - Agora não vou dar mais linguiça para o cão, só para o marido – talvez ela não goste muito do marido!

Tem também a questão dos dentes: a comida caseira te obriga a escovações mais frequentes, para evitar a formação de tártaro nos dentes. Com o uso de rações, o problema do tártaro é bem menor.

Posso dar então um pouco de ração e um pouco de comida? Aí tem outro problema. O cachorro tende a rejeitar a ração quando tem a opção da comida. Diferente dos gatos que adoram ração, e a preferem, os cães vão ficar olhando para você, como que perguntando: cadê a comida?

Por falar em gatos, a qualidade da ração também é muito importante. Hoje em dia, se tornou comum um problema chamado síndrome urológica felina. É um misto de inflamação, infecção e formação de cálculos (areia ou pedras) na vesícula urinária do gato macho, que podem acabar obstruindo sua uretra. O animal não consegue urinar, e se não for prontamente socorrido, morre. É muito, mas muito mais comum, isso acontecer com gatos que comem rações sem qualidade do que com os que comem boas rações.

No tocante à quantidade, isso pode variar conforme a fase da vida, a atividade, a personalidade do animal e a qualidade da ração. Teoricamente, uma ração mais forte deveria satisfazer com menor quantidade. Pelo menos, com certeza ela nutre com menos quantidade, mas cuidado com as indicações que vêm na embalagem, pois podem estar subestimando o apetite do seu cão.

Na dúvida, dê sempre um pouco o mais do que está indicado no saco. Gatos não têm hora para comer, e em geral as pessoas deixam a panelinha sempre cheia e eles comem a quantidade que quiserem e na hora que quiserem; isso se a ração for seca, pois não estraga. As úmidas, de latinha, estragam após algumas horas.

Este conselho de deixar comida à vontade para os gatos pode não ser cientificamente o mais certo, e pode ocasionar gatos obesos, mas é o mais comum. Eu faço assim, e a maioria das pessoas também.

Aliás, gato é cheio de manias. Muitos gatos não comem se o pote de ração não estiver bem cheio. A minha gata mesmo é assim.

Se estiver ainda pela metade, ela “pede” para encher. Não come enquanto não encher. Aí tem de ficar de olho para a ração que está por baixo não estragar. É muito desagradável quando ela faz essas exigências às três horas da manhã, mas se não atender, o bicho pega! Literalmente! São várias patadas e mordidas até eu levantar.

Os cães têm o hábito de comer na hora que você coloca a ração. Filhotes, por serem mais ativos, devem comer várias vezes ao dia. No mínimo três, podendo ser mais. Costumo recomendar pouca quantidade várias vezes ao dia. Já os adultos devem comer no mínimo duas vezes ao dia. O hábito de comer apenas uma vez ao dia não é legal e favorece, inclusive, uma doença grave chamada torção de estômago, pois o animal pode comer muito de uma vez, beber muita água e isso pode torcer seu estômago.

Acima de qualquer regra impera o bom senso. Animal magrinho pode estar comendo pouco. Obesos e que fazem muito, muito cocô, podem estar comendo em excesso. O tempo disponível que cada um tem para tratar deste assunto também deve ser levado em consideração.

Quem fica muito tempo fora de casa, tem de deixar o rango garantido na sua ausência. A água deve ser oferecida em abundância e sempre fresca. Não descuide da higiene das vasilhas de água e comida, que devem ser constantemente lavadas e bem enxaguadas.

Uma última observação para quem é vegetariano, como eu sou. Já existe no mercado uma ração totalmente vegetariana para os cães, e até onde se sabe, oferece boa nutrição.

Veterinário Wilson Grassi
Basta ser cachorro para em algum momento da vida ter estes incômodos parasitas. Controlá-los, às vezes, exige perseverança. Carrapatos não nascem no corpo do animal. Nascem no chão e sobem. Um ou outro carrapato pode aparecer ocasionalmente, mas quando aparecem muitos, é sinal que as condições de higiene não estão adequadas. Não necessariamente sujeira, mas pelo menos um local inadequado, cheio de esconderijos, entulho ou tranqueiras, onde estes parasitas cheios de patas encontram refúgio e procriam.

As pulgas também têm sua fase jovem no chão, subindo ao corpo depois. Estudos dizem que para cada cinco pulgas no corpo de um cão, outras 95 estão no chão, na casinha, caminha ou roupinhas, em fase de ovo ou larva. Por isso, acabar com estes insetos é complicadinho. Precisa ter perseverança.

Os tratamentos têm de acabar com os parasitas que estão no corpo e com os que estão no chão. Normalmente, é necessário mais de um medicamento. Para aplicar diretamente sobre os animais existem alguns produtos sprays ou top spot (bisnaga para aplicar no dorso), que ajudam a eliminar as pulgas. São receitados conforme a idade e o peso, portanto, é bom perguntar sobre isso durante a consulta com seu veterinário. No ambiente, ou seja, no chão ou na casinha, pode ser aplicado outro tipo de produto. São frascos que diluímos na água para lavar o quintal. Normalmente vendidos em aviculturas.

Alguns balconistas, quando o problema são os carrapatos, sugerem aplicar produtos como o Butox, direto sobre o animal. Já vi dar certo, mas já vi também muitos casos de intoxicação que podem levar à morte. Espero que você siga apenas orientações veterinárias e não faça experiências com seus bichos.

Fazendo uma vez resolve? Não! Estes tratamentos, pelo que costumo ver, eliminam 90% das pulgas e carrapatos na hora e têm um efeito residual por mais algumas semanas. Depois de no máximo um mês, você deve fazer nova aplicação e assim sucessivamente.

Banhos com xampus antipulgas também ajudam no controle. Ou seja, não tem aquele tiro certeiro que acaba com pulgas e carrapatos de uma vez por todas. Tem de fazer um pouquinho de cada coisa e ir controlando.

Animais que nunca saem de casa podem ficar anos sem pegar pulgas e carrapatos, já os que saem frequentemente...

Apartamentos também protegem mais que casas com quintais, e até mesmo as clínicas e pet shops podem ser locais para se pegar uma pulguinha.

Gatos bem saudáveis não costumam ter pulgas, pois fazem uma higiene criteriosa, lambendo-se todo dia. Já os gatinhos que por qualquer motivo ficam doentes, relaxam na limpeza do corpo e aparecem as pulgas.

É importante saber que carrapatos são transmissores de doenças graves aos cães e às pessoas, por isso devem ser controlados com atenção. Pulgas são responsáveis pela transmissão de um parasita intestinal, chamado dipilidium, ou seja, onde tem dipilidium, tem pulga, e onde tem pulga, pode ter dipilidium, então quando tratar contra as pulgas é bom vermifugar também.

Agora, a questão mais relevante neste caso é a seguinte: muitas pulgas e ou muitos carrapatos podem estar associados a muitos cães ou muitos gatos no mesmo ambiente. Veja se o número de animais juntos não é demais, e sempre que tratar um contra pulgas e carrapatos trate todos os outros juntos, se não, não adianta, e a infestação não acaba nunca.


Veterinário Wilson Grassi

Da mesma forma que em seres humanos, a obesidade em cães e gatos é um importante transtorno alimentar, que deve ser cuidadosamente acompanhado, não por questões estéticas, mas sim por predispor a algumas doenças, entre elas complicações cardiorrespiratórias, articulares e metabólicas nestes animais. Além destas consequências, a obesidade pode ser um importante complicador de procedimentos cirúrgicos e anestésicos.

Estima-se que cerca de 30% dos cães e gatos brasileiros podem estar acima do peso ideal, contra 40% dos americanos.

Uma forma de aferir se seu amigo está ou não com sobrepeso, é passar as mãos sobre suas costelas. Normalmente os ossos devem ser percebidos com facilidade nos animais não obesos. Já os fofinhos geralmente terão uma camada de gordura que esconde estes ossos.

Excluindo os animais que têm uma carga genética que favorece a obesidade, como os labradores e cockers spaniel, os gordinhos em geral ou estão comendo demais, ou se alimentando de forma errada, com excesso de gorduras e carboidratos. O problema também pode estar na outra ponta da questão, com diminuição dos gastos energéticos, ocasionados pelo sedentarismo, principalmente nos animais mais velhos.

É interessante a correlação que alguns estudos fazem entre a má alimentação de cães e gatos e a má alimentação de seus donos, sendo mais provável a ocorrência de bichos fofinhos em famílias de pessoas também fofinhas.

Neste caso, os vilões podem ser os petiscos, que devem ser dados com parcimônia, pois um bifinho canino pode chegar a ofertar 30% das necessidades calóricas diárias, dependendo do tamanho do animal.

A castração aumenta a probabilidade de obesidade em cães e gatos, seja por aumento do apetite ou por diminuição das atividades físicas. Apesar deste fato, este procedimento ainda é recomendado, pois os benefícios como prevenção de tumores de mama e testículos se sobrepõe aos efeitos colaterais do sobrepeso.

Em animais não castrados, a origem da obesidade deve ser investigada para exclusão de causas hormonais, como hipotiroidismo ou hiperadrenocorticismo.

Ao se considerar um programa de redução de peso, é valido saber que a necessidade diária calórica dos animais varia muito conforme a fase da vida, mas para que haja perda de peso o aporte calórico precisa ser menor que o consumo, o que não é simples de conseguir.

Em primeiro lugar é imprescindível o acompanhamento de um veterinário, que deverá solicitar uma avaliação laboratorial completa, com realização de hemograma, dosagem de proteínas, urinálise, glicemia, perfil hepático e renal, ecocardiograma, eletrocardiograma e dosagens hormonais. Os exames são imprescindíveis para avaliar a condição inicial do organismo do animal e posteriormente acompanhar eventuais desequilíbrios relativos a restrições alimentares.

Nenhuma redução de peso deve ser radical, com perda de peso rápida ou superior a 10% do peso corporal em curto espaço de tempo, devendo ser gradual e com o mínimo de desconforto para o animal.

Exercícios leves e adequados a fase da vida são bem vindos.

Veterinário Wilson Grassi

A importância do vegetarianismo

O vegetarianismo está relacionado diretamente com três grandes temas: a preservação do meio ambiente, devido à agressividade da atividade pecuária, que destrói florestas, desperdiça e contamina águas e emite gases do efeito estufa; à promoção da saúde, pois o consumo de carnes está associado a inúmeras doenças; e filosoficamente o mais importante: o vegetarianismo está associado à defesa dos animais de consumo, que não têm uma vida nada fácil e uma morte pior ainda.
No mundo todo cresce o número de pessoas vegetarianas, sendo a Inglaterra um dos países que mais tem adeptos, cerca de 15% da população. No Brasil não temos números precisos, mas estima-se que 4% da população seja adepta dessa dieta.
O Veganismo como dieta, é o vegetarianismo estrito a alimentos vegetais, sendo que os veganos não comem ovos, nem leite, nem seus derivados. O Veganismo repudia a exploração animal e, portanto, seus adeptos não usam roupas nem sapatos de couro e são contra atividades como rodeios, uso de animais em circos, experimentos com animais, etc.
Seguindo este raciocínio, muitas pessoas não acham coerente que vacas, ovelhas, frangos e peixes sejam mortos para alimentarem cães e gatos.

O vegetarianismo entre os cães

Os cães já foram considerados carnívoros, mas um entendimento mais amplo hoje considera que os cães são onívoros, ou seja, comem tanto carnes quanto vegetais. Do ponto de vista nutricional, a alimentação dos cães não precisa de ingredientes específicos, mas sim de nutrientes específicos.
Dentre os componentes de uma ração industrializada ou de uma alimentação caseira, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais são facilmente encontrados nos vegetais. O mito que muitas pessoas ainda levantam, é o da proteína, porém, as proteínas são compostas por sub-unidades chamadas aminoácidos e todos os aminoácidos considerados essenciais paras os homens e para os cães, estão presentes nos vegetais.
Para o homem e para os cães, pois para os gatos existe um aminoácido essencial chamado taurina, que se acredita pelo menos por enquanto, que só esteja disponível em alimentos de origem animal e que, portanto, os gatos precisam da carne como fonte deste nutriente.
 Agora voltando a falar de cães, desde que haja um balanceamento adequado, eles podem, perfeitamente, ser criados de forma saudável dentro do vegetarianismo. 

O vegetarianismo para os cães é antinatural?
     
De certa forma sim, mas ser natural não é sinônimo de ser o melhor. Também não existe naturalidade em uma alimentação seca, embalada e vendida em pet shops, como é o caso das rações comerciais e, na maioria das vezes, elas promovem uma boa nutrição dos cães. Mais antinatural ainda é imaginar um gato mergulhando nas profundezas do oceano para caçar um atum, que é um dos ingredientes das rações para gatos, e isso não é necessariamente ruim, pelo menos para o gato, apenas para o atum.

Existe praticidade e segurança no vegetarianismo para os cães 

 No Brasil este é um conceito relativamente novo. Eu tenho ouvido esta discussão há apenas poucos anos, e até o momento existe apenas uma marca de ração para cães totalmente vegetariana sendo vendida em nosso país.
Já nos EUA, existem mais opções e isso, há pelo menos uma década. Lá existem até rações vegetarianas para gatos, que levam uma complementação de taurina sintética. Em termos de segurança contra carências nutricionais, no Brasil ainda não temos abundância de estudos a respeito da segurança do vegetarianismo em cães, mas a lógica nos diz que é uma alimentação saudável.
A ração industrializada não é a única forma de tornar seu amigo vegetariano ou vegano. Formulações vegs caseiras também podem ser preparadas e se tornarem boas opções, porém encontrar um correto balanceamento nutricional, seja com alimentos vegetarianos ou não, é trabalho que requer participação de nutricionistas ou nutrólogos.
Independente de a opção alimentar ser carnívora ou vegetariana, check-ups periódicos são uma importante forma de acompanhar a saúde e o correto desenvolvimento do seu cão.

Objetivo: O objetivo deste artigo não é dar receitas nem muito menos aulas de nutrição, mas sim levantar esta discussão lembrando que para alimentar nossos pets são mortos outros animais e que isso não é uma necessidade verdadeira.
Se você se interessou pelo assunto, comece pesquisando pela Internet um livro chamado “Cães Veganos” de James O’heare, tradução de Anderson Santos, no site http://www.caesvegetarianos.info/ , depois faça outras pesquisas sobre opções de ração industrializada e converse com seu veterinário, mas lembre-se que está lidando com paradigmas que sempre são difíceis de quebrar.

Veterinário Wilson Grassi

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